É, meu amigo intercambista. Não adianta achar que só de inglês é feito o intercâmbio. Aqui aprendemos muito, mas muito mais do que outro idioma. Listamos aqui as dez principais coisas que você fatalmente aprenderá no intercâmbio.
Assunto quase obrigatório, a saudade vem, e não ache que é só da sua família e amigos, não! Aqui, quando menos esperamos, sentimos falta da nossa cama, banheiro, das broncas da nossa mãe, do cheiro do nosso pai ao entrar em casa, da comida caseira (Ah, a comida caseira…!), das brigas com nossos irmãos e, por que não, do trânsito. Ah sim, quando bate aquele tédio misturado com saudade, até do agito da cidade grande, que inclui um “transitozinho”, a gente sente.
Talvez seja o assunto mais complicado dos dez tópicos listados neste artigo. A convivência com pessoas de diferentes mundos é muito difícil, sim! Digo diferentes mundos, pois aqui lidamos com pessoas do Brasil e do mundo todo, que têm diferentes definições de espaço, higiene, educação e regras de bom convívio (quando sabem o que são regras de bom convívio). Não é fácil. Aqui as palavras-chaves são: flexibilidade e resiliência. Sem essas benditas coisinhas, você pode se dar muito mal em um intercâmbio.
Não adianta achar que no intercâmbio teremos aquele colinho de mãe ou dos amigos de anos. A carência excessiva, assim como em qualquer lugar do mundo, não é algo bom, e aqui menos ainda. Entenda: não é por gostar ou não do outro, mas é que todos aqui estão no mesmo barco, sentindo saudades, TPM (mulheres), gripe, irritação ou qualquer outra coisa que aumente a carência.
Ficar choramingando de um lado para o outro ou agindo de forma mimada, esperando que todos vejam sua dor ou ofereçam colo, não funciona. No máximo, isso o afastará do restante do grupo. No intercâmbio, precisamos aprender a lidar e a superar isso. Cada um da sua forma, mas sempre respeitando o espaço do outro (como dito no item 2: convivência).
O assunto mais falado durante todo o intercâmbio é esse, e não tem como fugir! Quantas e quantas vezes nos vemos no meio de um bate-papo com um grupo de intercambistas, no qual o assunto principal é o dinheiro ou onde conseguimos comprar mais barato? Fazer intercâmbio e não adquirir o dom do controle financeiro é se colocar em problemas, e dos grandes.
Entender nossas próprias emoções já é difícil em qualquer lugar do mundo, certo? Mas não o sei o que acontece na nossa mente quando fazemos intercâmbio, porque aqui as emoções funcionam com potência máxima. Um probleminha se torna um problemão em segundos, o choro se torna uma tempestade, as risadas não param até doer a barriga, ou seja, tudo à flor da pele.
Esse é um fato que você aprenderá se fizer intercâmbio em qualquer lugar onde faça frio e vente, como nossa amada Irlanda. Se deixar para fazer as coisas quando o vento ou a chuva passar, você não fará nada! Para a chuva, existem as roupas impermeáveis (porque guarda-chuva e Irlanda não combinam); e para o vento, bom… se ele não estiver a ponto de te carregar, é colocar sua blusa, gorro, protetor de orelhas e sair!
Abrir a mente sobre vários assuntos é fato! Até porque no intercâmbio conhecemos pessoas do mundo todo, e quando nos permitimos saber suas histórias, nos vemos em uma situação onde começamos a refletir sobre os conceitos às vezes fechados que tínhamos. Aí o mundo se torna imenso, e sua mente explode de tantas possibilidades.
Ah! Acho que todo intercambista concorda com isso. É comum conhecer brasileiros que estão aqui há meses e não melhoraram nada o inglês. Principalmente se o destino escolhido é repleto de brasileiros. Nossas panelinhas brasileiras se formam mais rápido do que encontramos acomodação e, quando menos percebemos, estamos falando mais português do que inglês.
Um dos primeiros fatos que aprendemos no intercâmbio é que existem, sim, pessoas que querem te prejudicar. Mas o bom é que, ao mesmo tempo, aprendemos que, para cada pessoa dessa, surgem duas outras completamente opostas e que ajudam e muito!
As amizades verdadeiras no intercâmbio não são fáceis de serem feitas, mas, quando acontecem, você sai agradecendo aos céus por elas. Seja da nacionalidade que for, a amizade acontece e faz ver o intercâmbio de forma mais positiva. “Com amigos temos tudo”, é o que dizem, não é mesmo? No intercâmbio, vemos que isso se torna um fato.
Como falamos no item sobre a carência, no intercâmbio, mesmo com grandes amizades, amadurecemos a ponto de entender que não adianta reclamar. Nada mudará na nossa vida se não nos movimentarmos para que isso aconteça. Não arranjaremos emprego se ficarmos todo dia grudados no computador em vez de arrumar o currículo e sair pelas ruas. Não falaremos inglês se não nos dedicarmos às aulas e não abrirmos espaço para conhecer pessoas de outras nacionalidades. Não teremos a casa limpa se não limparmos, e por aí vai.
A independência tem um preço e se chama maturidade. Maturidade pra ver que o mundo é bem mais do que tínhamos em mente, e nossos problemas, muitas vezes, não são da conta de ninguém a não ser nós mesmos.
Imagens via Shutterstock
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