Sobre chegar e estar no Intercâmbio

Quando me perguntavam o porquê, eu sempre tinha várias respostas, motivos, causas e justificativas prontas na minha cabeça. Mas a verdade é que só estou descobrindo agora por que eu realmente precisava fazer um intercâmbio. É vivendo aqui que a gente entende, se fortalece, se descobre e consegue seguir em frente.

Geralmente são os questionamentos que nos impulsionam para nossos sonhos. Crédito: © Gunold | Dreamstime

Acho que depois dos 25, tive uma crise existencial por semanas. Sempre questionei bastante, a mim, os outros e o mundo. Sempre quis saber o por que, como e o quando de tudo. Nasci assim, tá em mim. Pareço uma interrogação ambulante. Aos 26 anos, assim como muitos intercambistas, fiquei sem emprego e me vi num momento de crise interna e externa. Comecei a pensar muito e questionar minha carreira, mercado de trabalho, futuro e, principalmente, o que deixava meu coração em paz e me fazia feliz.

Juntei um sonho antigo que estava empoeirado naquela última gaveta, uma família foda que sempre me deu base, suporte e apoio, um inglês meia boca, uma mala de vinte e poucos quilos e vim parar em Dublin. Todo o planejamento, decisões e pagamentos foram feitos em poucos meses antes da partida. Fiz uma escolha muito acertada nesse processo: a agência que me ajudou a chegar até aqui. Recebi uma indicação de uma conhecida e resolvi arriscar. Não tinha noção que isso faria toda a diferença positiva na minha viagem.

Decidi tudo “pra ontem”, menos a data oficial, isso eu hesitei algumas vezes. Pensei mais um pouco, pensei de novo e fechei pra outubro de 2017. Nesse meio tempo, resolvi contar apenas para uma amiga, além da minha família. Não sei se isso chama destino, coincidência ou sei lá, mas essa amiga me apresentou uma amiga que também estava vindo pra cá. Deu match, claro. Marcamos nosso voo juntas e embarcamos.

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Prepare-se. A hora da despedida no aeroporto nuca é fácil. Fonte: © Ekaterina Pokrovsky | Dreamstime

A despedida no aeroporto é a pior parte. Realmente dói o coração. Não dá pra segurar o choro. Na hora do último abraço antes de vir, meu pai sumiu no aeroporto. Assim como eu, ele queria se esconder. Pular aquela parte. Mas não teve jeito, a gente tinha que passar por isso. Consegui achá-lo e dar o abraço mais doído da minha vida. Senti vontade de dizer: não vou mais! Mas eu sabia que eu precisava vir, era um sentimento momentâneo, uma saudade antecipada. Todo mundo ia sobreviver no final. Cheguei a Dublin numa quarta-feira, final da tarde. Tudo meio cinza. Meio chuva. Meio Dublin.

Ao todo, foram 26 horas entre voos e conexões. Na fila da imigração no aeroporto, fiz amizades – inclusive conheci sem querer minha primeira flatmate. Tem muita gente saindo do Brasil com os sonhos parecidos, mas com muita bagagem diferente. Tem gente que deixa família, emprego, casamento, filhos (os de patas também contam) e coração pra viver essa aventura.

Dublin, cheguei. Fonte: © Marko Bukorovic | Dreamstime

Desde que cheguei aqui, tenho conhecido muitos corajosos, cada história de vida impressionante que daria pra escrever um livro (ainda vou fazer isso). São pessoas que, além da coragem e fé, trazem consigo vontade, força e muita humildade para vencer aqui e matar vários leões por dia. Ainda no aeroporto, uma pessoa já estava me esperando com aquelas plaquinhas. Confesso, dá um alívio sentir alguém te esperando, por mais que esse alguém seja alguém que você não conhece. Dormi a primeira noite perfeitamente, como se já estivesse habituada ao fuso e novo horário. No dia seguinte, já estava em pé cedo, tentando me acostumar a ligar a luz do lado de fora antes de entrar no banheiro, jogar o papel higiênico no vaso sanitário, e em hipótese alguma sair na rua com o cabelo molhado – isso dá gripe na certa.

Dublin me presenteou com um lindo sol e um frio bem menor do que eu estava esperando (ainda era outono). Parei em cada cantinho pra apreciar. Aliás, quando você tá longe de casa, começa a olhar tudo de um novo jeito, começa a reparar nas coisas de um modo diferente. A sensação de estar aqui foi tomando um gosto, um novo sabor. Dublin e eu só estávamos no início de um relacionamento sério, e a cada descoberta sobre ambos, foi e está sendo maravilhoso.

Sobre a autora:
Amanda Carvalho Belo é aquela dos textões, sensações, sentimentos e emoções. Pisciana maluca. Me jogo, vivo e comemoro! Cheers!

Imagens via Dreamstime
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