Há dois meses o sonho do brasileiro Thiago Cortês em viver na Irlanda, se casar e ter uma longa vida pela frente foi interrompido, no auge de seus 28 anos. O entregador foi atropelado enquanto trabalhava de bicicleta no subúrbio de Dublin, no dia 31 de agosto.
O motorista que o atropelou e cúmplices que estavam no carro fugiram sem prestar socorro e Thiago morreu no hospital, no dia seguinte. Ninguém ainda foi preso, mas a Garda segue investigando.
A família de Thiago conversou com o E-Dublin para contar como está o caso, 60 dias depois. Celso Côrtes, pai de Thiago, mora em Niterói, no Rio de Janeiro, e falou sobre a gratidão pela comunidade brasileira na Irlanda, que ajudou e ainda ajuda com mensagens de apoio e carinho.
Teresa Dantas, noiva de Thiago, que segue vivendo em Dublin, explicou como andam as investigações e disse ter esperança de que a justiça seja feita, mesmo que ainda possa demorar um pouco.
Em setembro, a Gardaí interrogou um adolescente suspeito de ser o motorista do carro que atropelou e matou Thiago Côrtes. O adolescente é menor de idade e a polícia acredita ainda que outros três adolescentes, já identificados, também estavam no veículo.
O E-Dublin entrou em contato com a Garda na tarde de ontem, que informou que “não fez nenhuma prisão” e que “a investigação continua ativa e em andamento”.
Teresa afirmou que está em contato direto com um investigador da Garda, que tem auxiliado muito a família. Segundo ela, existe uma tática da polícia para que o suspeito não fique ileso do crime e por isso ainda estão na “construção do caso”.
“Como ele é menor de idade, eles ainda não prenderam para criar um caso forte o suficiente para que ele seja julgado como adulto”, disse. Segundo ela, com uma prisão antecipada, o responsável pela direção do carro que atropelou Thiago poderia “receber uma pena mais leve”.
“A última informação que eu tive é que a prisão deve ser feita em novembro, e após isso começa o julgamento”, disse Teresa.
Celso, pai de Thiago, disse não saber sobre as leis da Irlanda, mas confia na justiça.
“Nós ainda temos a esperança que o assassino do meu filho Thiago Côrtes seja punido. Não é vingança, mas justiça. Tenho que confiar nas autoridades constituídas de Dublin, meu filho confiava, gostava de morar aí, tenho esperança, espero não perdê-la.”
Teresa afirma que a polícia a surpreendeu muito, positivamente. “Desde o primeiro contato recebi todo o suporte da parte deles. A Garda esteve no hospital a todo o momento e, desde então, o investigador que está em contato comigo tem me ajudado”, disse.
A mãe de Teresa, que foi à Irlanda para apoiar a filha, foi recepcionada pela Garda, que a buscou no aeroporto e auxiliou para que tivesse uma facilidade maior em passar pela imigração o mais rápido possível.
“A maneira que nós como família do Thiago temos sido tratados pela Garda me dá a segurança de que, dependendo deles, a justiça sim será feita.”
Um perfil no Instagram foi criado para manter a chama de justiça acesa e informar os detalhes do caso.
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Teresa contou que o velório e a cremação do corpo de Thiago foram abertos a poucos amigos e familiares, nove dias após o falecimento dele. A despedida teve o espírito leve que ele sempre levou a vida.
“Tivemos uma cerimônia não religiosa, já que ele era ateu. Tocamos as músicas favoritas dele, o hino do Vasco, seu time de coração. A personalidade brincalhona e alegre dele deu o tom da cerimônia.”
Celso disse que realizou o sonho do filho ao decidir manter suas cinzas em Dublin. “Era o sonho dele viver aí. Ficará para sempre em Dublin.”
Teresa reforçou o papel da comunidade brasileira na Irlanda no apoio ao caso. Ela disse que, ao longo dos anos, já havia construído uma família junto com Thiago. Agora, essa família só está aumentando.
“Recebi centenas de mensagens de suporte e carinho direcionadas a mim, à família do Thiago e à minha família. Tanto pessoas próximas como algumas que nunca vi têm sido incríveis. As palavras que tenho ouvido têm sido maravilhosas. Eu nunca vou conseguir agradecer o suficiente pelo carinho e apoio, e pela comunidade brasileira ter dado visibilidade e continuar lutando por justiça.”
Celso teve e ainda tem muito apoio vindo da Irlanda. Ele disse que foi importante o carinho que recebeu, e não só dos brasileiros.
“Sou muito grato à comunidade de brasileiros em Dublin, pelas manifestações, cobrança das autoridades, apoio à Teresa. Rezo todos os dias, imploro justiça, proteção e paz a todos os amigos, novos amigos, conhecidos brasileiros ou não que dedicaram um tempinho para confortar a todos nós. Sou eternamente grato.”
Teresa também enfatiza o apoio dos irlandeses, “que têm sido tão empáticos e incríveis quanto os brasileiros”.
“Com a ajuda e apoio tenho sentido que sou forte e que tenho pessoas com quem contar, e isso só fortalece o sentimento de que fiz a escolha certa de continuar na Irlanda por enquanto. Eu espero somente que a justiça seja feita e eu vou lutar para isso.”
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