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Você, que se deixou ir

Crédito: Shutterstock

De repente, você se vê utilizando um GPS para chegar ao supermercado mais próximo. Chegando lá, gostaria que o GPS também funcionasse para encontrar coisas nas prateleiras. “Os supermercados não deveriam ser iguais em todo o mundo? E as grandes redes de lojas? E a globalização?”, você se pergunta enquanto tenta encontrar a seção de temperos e digita noz moscada no tradutor. Ninguém lhe ensinou essa palavra em inglês. Ninguém lhe avisou que encontrar arroz para risoto ou sopa de cebola em um supermercado poderia ser um desafio.

Ou talvez tenham tentado lhe avisar, mas você estava ocupada demais decidindo onde iria passar os próximos seis meses, um ano ou o resto da vida. É verdade. Você se lembra daquela tia dizendo para você se agasalhar bem porque para esses lados da Europa era um frio danado. Talvez ela tenha dito que chovia muito também, mas você ainda não tinha dimensão do que era chover muito. E você pensou que o frio seria ótimo para looks elegantes com casaco e cachecol.

Você, que variava entre saltos e rasteirinhas, saias e shorts estampados e exibia pernas bronzeadas o ano inteiro, queria variar. Os looks elegantes da sua imaginação foram substituídos por um casaco preto, bem quente e com capuz. Agora você varia entre botas de montanha e botas de montaria. Mas não foram só suas roupas que mudaram. Você agora faz compras a pé (e já aprendeu a chegar ao supermercado). E sai à noite caminhando, encontra seus novos amigos e volta sozinha às 4h da manhã (algumas vezes ainda com a ajuda do GPS).

Você, que nunca gostou de cerveja, está disposta a experimentar algumas opções diferentes enquanto curte música ao vivo num pub qualquer. Tudo em nome da cultura. Você já começa a usar algumas palavras em inglês no meio de conversas com seus colegas brasileiros. Parece que além de melhorar seu inglês, vai aprender novas expressões tupiniquins. E, em breve, falará um idioma que mistura português de várias partes do país com inglês irlandês. E é possível que aprenda a dizer “oi” em mais duas ou três línguas.

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Você foi, sozinha, morar com desconhecidos que talvez se tornem grande amigos. Você deixou algumas coisas para trás. Você deixou lugares e trouxe memórias. Você deixou algumas pessoas e trouxe saudades. Você se deixou vir e trouxe coragem. E trouxe medo. E trouxe vontade. E quer logo ficar à vontade.

Você, na verdade, sou eu: Lívia Alen, uma jornalista brasileira de 25 anos. Há menos de um mês desembarquei em Cork e agora desembarco aqui no E-Dublin para assumir a coluna “Crônicas”.

Venham comigo!

Lívia Alen

Mineira de Belo Horizonte, morou no Canadá, na Argentina, na Espanha e em Portugal, antes de desembarcar na Irlanda. É jornalista e mestre em Comunicação das Organizações. Diz que os 25 anos são os novos 15 e que é tempo de experimentar. Olha mais para o céu que para o chão. Ama chocolate, gente e viagem, de preferência, tudo junto. Acredita que o mundo inteiro é um lugar para chamar de casa.

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